sábado, 27 de novembro de 2010

Conversões Superficiais, Religião Superficial

C.H. Spurgeon



Embora eu me regozije com conversões súbitas, eu tenho sérias suspeitas quanto a essas pessoas repentinamente felizes que nunca parecem ter se entristecido com o próprio pecado. Receio que esses que vêm tão facilmente à sua religião que freqüentemente a perdem completamente com a mesma facilidade. Saulo de Tarso foi convertido subitamente, mas nenhum homem já passou por maior horror de escuridão do que ele, antes que Ananias viesse a ele com palavras de conforto.

Eu gosto do arado profundo.

A raspagem superficial do solo é trabalho pobre. O corte profundo da terra sob a superfície é grandemente necessário. Afinal de contas, os cristãos mais duradouros parecem ser aqueles que viram que o mal interior que neles há é profundo e repugnante, e depois de algum tempo foram levados a ver a glória da mão curativa do Senhor Jesus conforme Ele a estende no Evangelho.

"Para pôr tudo em uma palavra,uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa."

Receio que em muito da religião moderna há uma carência de profundidade em todos os pontos. Eles não tremem profundamente nem se regozijam grandemente. Eles não se desesperam muito, nem acreditam muito. Oh, cuidado com um verniz piedoso! Proteja-se da religião que consiste em colocar uma fina camada de piedade sobre uma pesada massa de carnalidade. Nós precisamos de uma obra contínua no interior. A graça que alcança o centro e afeta o espírito mais interior é a única graça que vale a pena ter.

Para pôr tudo em uma palavra, uma ausência do Espírito Santo é a grande causa da instabilidade religiosa. Cuidado para não confundir excitação com o Espírito Santo ou as suas próprias resoluções com os profundos mecanismos do Espírito de Deus na alma. Tudo aquilo que a natureza pinta, Deus queimará com ferro quente. Qualquer coisa que a natureza põe em funcionamento, Ele fará parar e jogará fora com os trapos. Você precisa nascer de cima, você precisa ter uma nova natureza forjada em você pelo dedo do próprio Deus, já que de todos os seus santos está escrito, "Pois somos feitura dele, criados em Cristo Jesus."

Oh, mas, em todos os lugares eu temo que haja uma ausência do Espírito Santo! Há muita coisa vindo de uma moralidade espalhafatosa, superficial, muitos clamores de "Paz, Paz" onde não há nenhuma paz; e muito pouca ansiedade profunda advinda de um exame do coração para ser completamente purificado do pecado. Verdades bem conhecidas e facilmente lembradas são cridas sem serem acompanhadas da devida uma impressão do peso delas; esperanças sem consistência e confianças infundadas são formadas e é isso que faz com que os enganadores sejam tão abundantes e os espetáculos carnais tão comuns.

Fonte: [ Bom Caminho ]


Via: [ Não abro mão da Graça ]


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terça-feira, 16 de novembro de 2010

"Aquele, pois, que cuida estar em pé, olhe não caia".

Por Geremias do Couto


Ah, se todos nós, que somos considerados líderes, tirássemos as nossas máscaras e vivêssemos o discipulado em sua forma simples e bíblica. Ah, se abríssemos mão de certos caprichos, vaidades, presunção, arrogância, orgulho, farisaísmo, ostentação e viéssemos para a planície. Quanto ganhariamos! E a igreja também! Não generalizo, mas uso a linguagem da inclusão ao pensar que muitos de nós estamos de fato incorrendo nessa gravíssima falha. Sei que o desenvolvimento pessoal é parte do nosso crescimento. Mas considerar tudo o que conquistamos como esterco (tem lá o seu valor) é um dos princípios da vida cristã.

O que está em cena, aqui, não são as nossas conquistas em si mesmas, mas o pedestal, a glória humana, a fantasia, a hipocrisia, o aplauso e a consequente perda de referenciais. Achar que somos tudo, quando, na verdade, nada somos. Ou passar uma falsa humildade, que, no fundo, pretende que as pessoas olhem para nós e digam: "vocês são mesmo os tais!" Esse é o cerne. Quantas vezes pregamos e, ao final, nos sentimos frustrados, quando as pessoas não nos procuram para "elogiar" a nossa pregação! Quantas vezes chegamos de propósito atrasados ao culto para que a assistência nos olhe com admiração e, se não pode falar alto, pelo menos pense ou cochiche: "Está chegando o pregador!" Esse é o ponto.

Infelizmente, trazemos para a nossa realidade da fé um pouco (ou muito?) da herança católica que faz o povo olhar para os seus líderes como infalíveis. Estes, por sua vez, vestimos a farda com muita facilidade. A partir disso, passamos a ser os reis da cocada preta (sem racismo, por favor. Pode ser branca também!). Até na forma de andar, gesticular ou fazer alguns trejeitos, expomos a aura da infalibilidade que tanto massageia o nosso ego. Não conseguimos ser simples, e, se tentamos aparentar simplicidade, fazemos de maneira tão afetada que logo transparece a prepotência. Como neste conhecido bordão: "Fulano é tão humilde que tem orgulho da sua humildade".

Só que a casa cai. Não há arrogância que dure para sempre. De tempos em tempos, para a nossa tristeza (e também aprendizado), surge uma nova notícia, dando conta do fracasso de um líder, que muitos o tinham como o grande referencial e o tratavam, não com o respeito que todos merecem, mas com idolatrada veneração. Podemos chegar a este ponto, quando perdemos os nossos limites. Quando achamos que não temos de prestar contas a ninguém. Quando nos colocamos no pedestal acima dos "simples mortais". Quando não nos reconhecemos como o principal dos pecadores, à semelhança de Paulo. Quando deixamos de olhar as "nossas justiças como trapos da imundícia". Quando achamos que somos maiores do que a graça de Deus. Quando o pecado torna-se apenas um detalhe que não nos importa em nosso dia a dia. Quando, por confiar em nossa autossuficiência, não buscamos ajuda em nossos momentos de fragilidade.

Creio que Deus permite a exposição de alguns dentre nós, trazendo à tona todos os apetrechos escondidos no seu coração, para que o povo perca essa visão "divinizada" da liderança, e nós, que somos tidos em tal condição, possamos humildemente dizer como João Batista: "É necessário que ele cresça e que eu diminua", ou como Paulo: "Miserável homem que eu sou! quem me livrará do corpo desta morte?" Ao contemplarmos tais situações, por outro lado, nossa atitude deveria ser a de vestir-nos de sacos e assentar sobre as cinzas para chorar os nossos pecados pessoais e coletivos, orar pela restauração de quem está sendo tratado pelo Senhor e, com inteireza de coração, nos expormos aos braços amoráveis do Pai para deixar de ser sustentados pelas nossas próprias pernas.

Líderes são necessários na igreja desde os primeiros dias do Cristianismo. Atos dos Apóstolos descreve a sua existência. As epístolas tratam de forma clara o assunto. Mas não formam casta especial. Privilegiada. Com alguns galões que possam distingui-los dos demais crentes em sua relação com Deus. Não são pequenos deuses para ser glorificados pelos homens. São modelos, inclusive na fraqueza, para que possam pelo exemplo mostrar aos que lideram, no mesmo nível, que só pela graça - unicamente e apenas pela graça - sem qualquer outro privilégio, podem superar as falhas e buscar a santificação, sem a qual ninguém verá o Senhor. E aí todos saberão que ninguém é melhor do que ninguém ou ocupa lugar especial à direita ou a esquerda do trono de Deus.

Somos humanos, fracos, faliveis, necessitados, dependentes, incapazes em nós mesmos, para os quais o Senhor, que enfrentou todas as nossas fraquezas em sua humanidade, pode dizer: "A minha graça te basta".


Fonte: [ Geremias do Couto ]

Via: [ Ministério Batista Beréia ]

Matt Chandler - Desviados

sábado, 13 de novembro de 2010

O Culto que Não Cultua a Deus

Por Pr. José Santana Dória

Por vezes pensamos que não há nenhuma dificuldade ou problema com respeito à liturgia utilizada nos cultos dos nossos dias, pois achamos que tudo aquilo que se está oferecendo a Deus, Ele aceitará, desde que seja feito com sinceridade e zelo. Este falso entendimento mostra que somos uma geração ignorante quanto a forma bíblica de cultuar a Deus.

Não nos ocorre que Deus estabeleceu para o culto coisas que lhe agradam, e explicitou outras que não lhe agradam. Portanto, se quisermos que nosso culto seja aceitável precisamos submetê-lo a revelação divina. Se a Palavra de Deus aprovar, podemos ficar tranqüilos e perseverar em nossa atitude. No entanto, se ela desaprovar, humildemente devemos reconhecer diante de Deus o nosso erro e retornar ao princípio bíblico que Deus estabeleceu. Ele espera isso de todos nós.

Não podemos esquecer, que mesmo quando o verdadeiro Deus é adorado, podem existir problemas que tornam está adoração desagradável e mesmo inaceitável para Ele. Isto é o que podemos chamar de “cultuar de forma errada o Deus verdadeiro ou praticar o culto que não cultua a Deus”. Existem formas de culto que em vez de agradar a Deus o entristece: “as vossas solenidades, a minha alma aborrece; já me são pesadas; estou cansado de as sofrer” (Is.1:14).De acordo com Isaías 1:10-17, a maior queixa contra o povo é que este desobedecia continua e abertamente ao Senhor, mas continuava a lhe oferecer sacrifícios e ofertas, cultuando como se nada tivesse acontecido, como se fosse o povo mais santo da terra. Deus diz que aquilo era abominável (v.13), porque ele não podia “suportar a iniqüidade associada ao ajuntamento solene”.

O povo vinha até a presença de Deus, cultuava mas não mudava de vida. Apresentava-se diante de Deus coberto de pecados e sem arrependimento, pensando, talvez, que bastava cumprir os rituais e tudo estaria resolvido. Esse povo aparentemente participava com animação de todos os trabalhos religiosos, fossem festas, convocações, solenidades etc. E ainda era um povo muito dado à oração. Uma oração altamente emotiva, pois eles “estendiam as mãos” e “multiplicavam as orações” (v.15). Mas Deus disse que em hipótese alguma ouviria, pois eram mãos contaminadas e, certamente, orações vazias. Eram hipócritas.

O culto hipócrita que foi denunciado era causado pelo apego a mera formalidade, aos ritos, sem correspondência interior. Por fora tudo estava correto, mas interiormente essas ações litúrgicas não eram expressões de um coração agradecido. Era por essa razão que aquele culto se tornava uma coisa abominável ao Senhor. Assim o Senhor condenou o povo de Israel pela boca do profeta Isaías, dizendo: “este povo se aproxima de mim e com a sua boca e com os seus lábios me honra, mas o seu coração está longe de mim, e o seu temor para comigo consiste só em mandamentos de homens, que maquinalmente aprendeu...” (Is.29:13). Ou seja, o que está nos lábios é correto, mas as motivações do coração são erradas. No fundo, todas essas expressões hipócritas não passam de atos mecânicos. São invenções humanas que não se importam com a vontade de Deus. O resultado final, é que o formalismo, associado à corrupção doutrinária, produzira um tremendo desvio do Senhor e um afastamento do verdadeiro culto que devemos a Deus. Infelizmente, esse é o tipo de culto que temos atualmente em grande parte das igrejas cristãs, um culto mecânico que desonra Deus, pois, não demonstra amá-Lo de todo coração, de toda alma, com todas as forças e com todo entendimento (Lc.10:27). Com propriedade, podemos dizer que esse é um culto que não cultua a Deus.

Jamais podemos nos esquecer que qualquer tipo de adoração não serve para Deus. Há maneiras corretas e outras erradas de se adorar a Deus. Convém aprender a maneira correta. Um culto oferecido a Deus de forma hipócrita, sem honrar a palavra, que perverte o uso dos elementos de culto, que é feito de forma mecânica, que não oferece o melhor ou que não vem acompanhado de uma vida santa, não pode agradar a Deus, NEM PODE SER CHAMADO DE UM CULTO QUE CULTUA A DEUS.

Deus não se agrada de tudo o que fazemos supostamente em seu nome, por isso devemos ser obedientes a Ele e descobrir o que realmente lhe agrada. Precisamos evitar procedimentos e costumes que inventamos, por melhores, mais atrativos e práticos que pareçam. Mas a questão final é: onde podemos descobrir a forma de culto que realmente agrada a Deus? A resposta é que esta forma de culto que cultua a Deus, esta na Sua Palavra. A Bíblia é nossa regra de fé e prática, somente nela podemos encontrar o ensino confiável para entendermos o que agrada a Deus. Se a desprezarmos e confiarmos em nossas técnicas modernas, certamente não estaremos honrando aquele que a inspirou e nos entregou para que fosse o meio pelo qual teríamos conhecimento dele.

A Confissão de Fé de Westminster no Capítulo 21, parágrafo 1, diz: “...a maneira aceitável de se cultuar o Deus verdadeiro é aquela instituída por Ele mesmo, e que está bem delimitada por Sua própria vontade revelada, para que Deus não seja adorado de acordo com as imaginações e invenções humanas, nem com as sugestões de Satanás, nem por meio de qualquer representação visível ou qualquer outro modo não prescrito nas Sagradas Escrituras”.
Portanto, podemos concluir afirmando, sem medo de errar, que todas as práticas absurdas encontradas nos cultos dos nossos dias, tais como: palmas para Jesus, apelos, danças, gargalhadas santas, cair no espírito, cuspe santo, cânticos em línguas, urros, amarrar, desamarrar, representações teatrais, curas, libertações, interromper o culto para cumprimentar os irmãos ou visitantes, luzes coloridas etc. se originaram de pessoas que não se deixaram guiar pela Bíblia, mas antes foram atrás de seus próprios raciocínios e de sua própria vontade (praticam o culto da vontade, onde a adoração é uma questão de gosto e conveniência). Se quisermos agradar a Deus nunca podemos negligenciar a Bíblia. A Palavra de Deus é a verdade (Jo.17:17) e obedecê-la é o melhor culto que poderíamos oferecer ao Senhor.

terça-feira, 9 de novembro de 2010

Yago Martins - Carta a um Jovem com Problemas Sexuais

9.11.10
Postado por: Yago Martins

O que segue é um e-mail que recebi de um irmão que estava com problemas sexuais em seu namoro. Logo abaixo vai minha resposta. O texto foi editado para melhor se adequar, retirando certas pessoalidades. Espero que possa ser de utilidade para alguém.

Como eu já te falei, eu tenho 20 anos e faço faculdade. Acontece que há quase dois anos (eu tinha 19), comecei a namorar uma irmã da igreja. Ela é uma moça de Deus, comprometida com o Reino, ama o Senhor e sempre teve um desejo de dedicar-se à obra, como eu - inclusive ela sonha em fazer missões. Todavia, nos últimos dois ou três meses temos sido terrivelmente tentados na área sexual. Alguns dias atrás, fomos parar na porta de um motel, mas acabamos não entrando. E, sinceramente, o motivo de não termos entrado não foi temor ao Senhor (naquele momento eu só queria satisfazer os desejos da minha carne) - foi simplesmente medo, insegurança, afinal nós dois somos virgens. O fato é que, mesmo não tendo consumado a relação sexual, nós fomos muito além do aceitável e estamos ambos arrasados. O pastor de nossa igreja está nos dando todo o apoio, nos disciplinando em amor, nos oferecendo consolo, mas eu estou à beira de desistir. Não é a primeira nem a segunda vez que cedemos às tentações dessa maneira. Eu me sinto completamente enojado em relação à minha própria vida, em relação ao meu pecado, mas, ao mesmo tempo, não sinto forças para continuar combatendo-o. Estou renunciando a todos os compromissos que tinha com a obra em nossa igreja, pois me sinto desqualificado, reprovado para o ministério. O trabalho ministerial é muito abençoado, não posso servir vivendo da forma como estou. Peço oração e ajuda. Eu não sei o que está acontecendo comigo, não sei como tenho retrocedido tanto depois de experimentar tantas coisas maravilhosas da parte do Senhor. Tenho questionado a minha própria salvação, pois como um nascido de novo pode viver de forma tão podre? E esse questionamento está me consumindo. Gostaria de poder me casar, como Paulo ordena àqueles que não podem se conter, e estou me organizando para isso. Mas sou apenas estagiário, e minha família não é cristã e não apóia a idéia. Ou seja, não sei mesmo o que fazer. Nesse momento, tudo o que eu quero é força para não desistir.

Resposta

Meu irmão,

Seu desabafo muito me comove. Pedro foi mesmo sábio quando, ao aconselhar os jovens, declarou: "Sede sóbrios; vigiai; porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor, bramando como leão, buscando a quem possa tragar; ao qual resisti firmes na fé, sabendo que as mesmas aflições se cumprem entre os vossos irmãos no mundo" (II Pe 5:8,9). Eu também sou um jovem (tenho 18 anos), também namoro a mesma garota faz tempo (desde os 15 anos), também somos virgens e também já passamos de muitos limites. Logo, só posso concordar com Pedro: as mesmas aflições se cumprem entre os irmãos de todo o mundo. Nosso adversário ruge ao nosso redor tentando tragar-nos com nossas próprias paixões. Eu passava por problemas muito parecidos com o seu. Hoje, essas lutas são muito mais amenas e raras, mas, antes, a derrota era constante e devastadora. Saiba: eu conheço muito bem o seu problema, já o sofri intensamente e quase todo irmão que tem nossa idade passa ou já passou por problemas no mínimo muito parecidos.


Sabe, eu sou uma criança, assim como você. Um homem, e não um garoto, deveria estar te aconselhando aqui. Fico feliz que seu pastor esteja te dando apoio, consolo e disciplina amorosa. Ame este homem e agarre-se nele o máximo possível. Freqüente a casa dele, ore com ele, cresça com ele, amadureça com ele. “O que anda com os sábios ficará sábio, mas o companheiro dos tolos será destruído” (Pv 13:20). Encontre homens que amem a Cristo, amem a Escritura e amem a Santidade. Ande o máximo com eles, pois te ensinarão sobre como ser um homem bíblico. Seu pastor e bons amigos serão peças importantes para te dar força neste momento de luta.

Amigo, primeiramente, não desista. Você não está sozinho em sua luta. É Deus quem opera em nós tanto o querer como o realizar em nossa santificação (Fp 2:12,13). É Ele que nos dá força e nos faz andar de acordo com a Verdade. Clame desesperadamente ao que pode te santificar. Como disse Al Martin, Fé salvadora é o arremesso desesperado de uma alma desesperada nos braços de um Todo-Poderoso Salvador. Arremesse-se a Cristo. Lance-se n’Ele. Você não pode fazer nada só. Você precisa esmurrar seu corpo e fazer dele seu escravo (I Co 9:27), mas você não conseguirá sem jogar-se confiante e desesperado nos braços de Cristo.

Quando minha luta contra esse pecado era mais intensa, eu pude listar uns poucos conselhos bíblicos. Creio que te servirão:

Seja apaixonado por Jesus. Deus não retira de nós as paixões pelo mundo quando clamamos a Ele, Deus nos oferece uma paixão maior. Não deixamos de possuir "paixões da mocidade" (II Tm 2:22) quando cremos em Cristo, mas a paixão por Jesus deve arder tão forte em nós que as outras paixões são ignoradas e mortificadas. Busque Cristo nas Escrituras, veja boas pregações e ore bastante. O Fogo por Deus deve estar aceso no seu coração. Ainda que você esteja fraco, "[Ele] não... apagará o pavio que fumega" (Is 42:3).

Lembre que você é um peregrino. Pedro, em sua primeira carta (2:11), nos diz que devemos abster-nos dos desejos da carne que fazem guerra contra nossa alma. Ele deixa claro que fala isso "como a peregrinos e forasteiros". Precisamos tomar posse desta consciência de que não pertencemos a essa terra. Não devemos olhar para esse mundo como nosso. O sexo, a masturbação, a pornografia são coisas passageiras e terrenas. Há um prazer e uma alegria muito mais profunda e duradoura nos céus. Olhe para o alto: lá é a sua terra, não aqui. Livre-se de bobagens e futilidades terrenas. Ponha sua mente e seu coração no que vem de Deus.

Fuja! Imagine essa cena: “Você é um lutador e seu mestre está falando sobre seus adversários. Ele diz: está vendo aquele homem? Lute contra ele. Está vendo aquele outro? Resista contra ele. Agora, sobre aquele terceiro ali, não chegue nem perto. Fuja dele! Fuja!”. Nesta analogia, vemos uma verdade bíblica muito importante. Em Efésios 6:10-12 somos ordenados a resistir ao diabo. Em Tiago 4:7 somos, também, ensinados a resistir a Satanás. Já em II Timóteo 2:22 somos ordenados a fugir das paixões da mocidade. Sobre este ponto, Paul Washer diz que “isto demonstra que a paixão da sua carne e a sensualidade desenfreada da sua cultura é mais perigosa do que uma batalha face a face com o diabo”. Washer continua:

“Eu conheço inúmeros jovens cristãos que demonstraram evidências genuínas de conversão, e ainda assim ao entrar em uma relação com o sexo oposto, eles caíram em imoralidade. Eu sei que eles memorizam as Sagradas Escrituras, oram, e até jejuam para serem puros na sua relação, e mesmo assim eles caíram. Por quê? Porque eles não entenderam que todas as disciplinas espirituais das Sagradas Escrituras não poderiam salvá-los das paixões da juventude. Eles tentavam lutar uma batalha enquanto Deus os ordenou a fugir. Resumindo: Você não pode ficar sozinho em um relacionamento com uma pessoa do sexo oposto durante um período extenso de tempo sem cair. Por isso, vocês nunca devem ficar sozinhos em uma casa, carro, ou qualquer outro lugar onde a luxúria e os desejos podem ser acesos e o fracasso é certo.”

Fugir foi a maior ferramenta de santificação de Deus na minha vida. Ficar sem beijar minha namorada, não estar sozinho com ela, praticamente só namorar por telefone e em locais bastantes públicos foram modos que usamos para fugir de nossos desejos. Fuja também. Não ache que você terá forças para resistir. A melhor forma de lutar, neste caso, é fugindo. Funcionou comigo, funcionou com outros cristãos, peço a Deus que funcione com você.

Ocupe-se com o Reino. Temos o péssimo costume de abandonar todas as nossas atividades onde nos congregamos quando estamos caindo constantemente no mesmo pecado. Não faça isso. Continue servindo aos seus irmãos como você servia antes. Se possível, sirva até mais. Isso vai te deixar ocupado e te impedirá de gastar seu tempo com o que é vão. Não desperdice sua juventude, gaste-se na Obra de Deus. Os dias que você tirava para namorar, tire agora para evangelizar junto de sua namorada. Eu sei, será super desgastante e você vai ter a sensação que está se distanciando de quem você ama. Eu senti isso no começo, mas, na verdade, vocês estarão crescendo na graça de Deus e fortalecendo a união de vocês. Procure ministérios de evangelismo, traduza textos, freqüente pequenos grupos que sejam realmente bíblicos, pregue nas ruas, leia as Escrituras. Viva de um modo que você possa, daqui a alguns anos, olhar para traz no tempo e dizer: para o mundo, eu joguei minha juventude fora; mas para Deus, eu estava mais vivo que qualquer outro.

Confie que Cristo te dará forças. Vou deixar apenas Deus falar neste ponto, Ele se expressa melhor que eu: “Tendo por certo isto mesmo, que aquele que em vós começou a boa obra a aperfeiçoará até ao dia de Jesus Cristo” (Fp 1:6). “Que mediante a fé estais guardados na virtude de Deus para a salvação, já prestes para se revelar no último tempo, em que vós grandemente vos alegrais, ainda que agora importa, sendo necessário, que estejais por um pouco contristados com várias tentações, para que a prova da vossa fé, muito mais preciosa do que o ouro que perece e é provado pelo fogo, se ache em louvor, e honra, e glória, na revelação de Jesus Cristo (I Pe 1:5-7). “Meu Pai, que mas deu, é maior do que todos; e ninguém pode arrebatá-las da mão de meu Pai” (Jo 10:29). “Ora, àquele que é poderoso para vos guardar de tropeçar, e apresentar-vos irrepreensíveis, com alegria, perante a sua glória...” (Jd 24). “Por cuja causa padeço também isto, mas não me envergonho; porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que é poderoso para guardar o meu depósito até àquele dia” (II Tm 1:12).

Case. Paulo disse que “... se não podem conter-se, casem-se. Porque é melhor casar do que abrasar-se [ou arder em desejo]“ (1 Co 7:9). Planeje-se para seu casamento. Abra mão de um mestrado para poder casar logo. Transfira seu curso para a noite para poder trabalhar durante o dia. Você conhece sua rotina e seus planos, analise-os com cuidado e se planeje, junto com sua namorada, para casar. Hoje em dia, criamos um milhão de dificuldades para adiar o casamento. Claro que é um passo importantíssimo na nossa vida, mas acabamos procrastinando demasiadamente o matrimonio. Eu, por exemplo, só pretendo fazer meu mestrado depois de algum tempo de casado e se eu conseguir bolsa pra tal, com isso, posso casar-me alguns anos mais cedo. Olhe para sua vida, converse com sua namorada e vejam o que pode ser feito. Claro, ore bastante sobre tudo. “O coração do homem pode fazer planos, mas a resposta certa dos lábios vem do SENHOR” (Pv 16:1).

Foras essas dicas bíblicas, eu possuo algumas dicas práticas que funcionaram comigo e com outros irmãos. Todas elas foram vividas por mim e, graças a Deus, funcionaram. Aconselhei sobre isso para alguns amigos e funcionou com eles também. Oro a Deus que funcione com você:

Abra mão do beijo. Simplesmente não beije. Parece duro, mas depois de um tempo você vai ver como é abençoador. O beijo não é pecado, mas pode levar ao pecado, como quase tudo na vida. Como você está fraco, é bom cortar de vez o beijo. Eu e minha namorada não conseguimos instantaneamente, logo, começamos a namorar apenas por telefone (o que foi complicado para nós, já que somos vizinhos). Isso, além de livrar de pecados, vai ajudá-los e tornar a união de vocês mais forte.

Tenha casais amigos. Nada melhor do que possuir amigos que também namoram ou são casados. Cristãos, preferencialmente. Vocês poderão sempre sair juntos para algum restaurante ou para o cinema, etc. Eu e minha namorada temos dois casais de amigos cristãos e é ótimo sairmos juntos. E o melhor, você não precisa abrir mão de momentos românticos por estar em grupo. Os casais só precisam se separar um pouco para ter um momento de intimidade. Mas lembre, no começo, é bom maneirar em ficar sozinho com a namorada.

Orem juntos. Disciplina de oração é ótimo para a vida cristã e para o seu relacionamento. Encontrem grupos de oração ou irmãos dispostos a orar com vocês. Cuidado: nada de ficarem sozinhos para orar, o pecado está a porta! Sempre orem em comunhão com outros crentes.

Conversem sobre coisas do alto. Namorados precisam conversar, claro. Mas muitas vezes as conversas são fúteis e tolas. Adquiriam a rotina de ler sempre as Escrituras, bons livros e ver boas pregações. Não só isso, mas conversem sobre o que aprenderam. O pecado perderá força contra vocês naturalmente, pois estarão sendo santificados pela Palavra de Deus em seus corações.

Claro, tudo isso é uma luta. Uma verdadeira guerra. Não é nada fácil. Às vezes, na guerra contra o pecado, precisamos resistir ao extremo de derramar o próprio sangue (Hb 12:4). Se nada funcionar, e que Deus repreenda isso, esteja disposto a arrancar olhos, mãos e pernas (Mt 5:29). Se preciso for, acabe com seu namoro. É melhor entrar solteiro no céu do que casado no inferno. Essa não é a escolha primária. Lute contra seu pecado. Mas se nada, mesmo com toda a luta do mundo, funcionar, medidas drásticas precisam ser tomadas.

Para finalizar, lembre-se: sentir sujo, nojento, pecador e depravado por conta de nosso pecado, até certo ponto, é algo bom, pois revela nossa tristeza com nossos erros e evidência nossa regeneração. Agora, isso não deve nos parar e roubar nossa alegria em Cristo. Davi, quando pecou sexualmente, escreveu um salmo a Deus e disse o seguinte: "Torna a dar-me a alegria da tua salvação, e sustém-me com um espírito voluntário" (Sl 51:12). Ore para que você alegre-se novamente diante da obra de Cristo por um depravado como você. Quão maus nos somos, e quão bom Cristo é!
Pro
Você está, desde já, em minhas orações. Clamo a Deus que Ele te dê forças assim como Ele tem me dado. Depois de quase dois anos praticamente só de fracasso, Deus me deu forças para lutar. Saiba: na força de Deus, é possível vencer qualquer pecado. Cristo já os derrotou na cruz, nossa vitória é certa, n’Ele venceremos.

domingo, 7 de novembro de 2010

Deixando de Brincadeira

Estava participando de um evento jovem um dia desses, e durante o intervalo, conectei a internet e li essa mensagem. Então um dos líderes e preletor de tal evento começou a palestrar (pois não tinha como achar que aquilo era pregação) então pensei comigo "Quando é que esses líderes acordarão deste pesadelo?".

Leia o texto abaixo e veja se em algum momento você já esteve nesta situação?



Por Avelar Jr


Conheço um genuíno servo de Cristo. Uma pessoa que realmente se preocupa com as coisas de Deus e com a vontade dele em sua vida. Conversamos bastante. Ele havia sido muito religioso, fanático, bem visto em seu meio, prestigiado e popular —um líder. O problema é que o meio que o acolhia tão bem era fanático, herético, frenético, ávido por novidades e estrelas ministeriais e despido de conhecimento de Deus e de sua palavra. Eles se moldavam um ao outro: cegos guiados por cegos andando para o abismo.

Com o tempo, Deus abriu seus olhos. Ele percebeu que estava num pedestal de glória humana, cheio de religião e sensações mas vazio de verdade. Vestiram-lhe a fantasia de super-herói. E ele se deixou vestir e dominar pelo personagem, pela máscara e pela canção da roda. Ao contemplar a verdade, sua atitude mudou. Tornou-se discípulo, aprendiz e encontrou seu lugar de servo.

Findaram-se sua liderança, seu programa de rádio, seu sucesso ministerial. Pagaram-lhe com preconceito, ingratidão, incompreensão e ostracismo. Mas que importa? O Dia das Bruxas passou! Deus mudou-o de sua máscara e de seus trajes espalhafatosos que faziam a alegria dos meninos em uma completa novidade de vida, nunca antes experimentada. E o que antes era noite de “gostosuras e travessuras” deu lugar à dura carteira do discipulado diário do Mestre Jesus.

E ele às vezes se sentia triste e se perguntava: Onde está aquele calor que eu sentia? Onde as emoções arrebatadoras? Por que tudo parece tão frio e distante? Os aplausos, os cumprimentos, o assédio, a euforia, os folguedos... Num momento tudo se calou na simplicidade e na calmaria do úmido alvorecer.

Começar cada manhã parecia trabalhoso (— Só mais cinco minutos, por favor!). Agora levantava sozinho para ir à escola. E já não tinha mais consigo aqueles cuja noite de Dia das Bruxas não tem fim, que se contentavam em brincar com suas fantasias, com suas roupas de mentiras, esperando ganhar doces por se vestirem delas.

Mas ele sabia que, embora fosse difícil acreditar, não estava só. Pois seu Mestre lhe sorria no oculto e lhe oferecia um pouco de sua companhia em cada momento, em cada brisa, em cada canto de pássaro, em cada nota musical, mesmo no silêncio; na brisa refrescante e em cada flor que coloria e perfumava o caminho. Era difícil se desembriagar, se desacostumar, quando tudo agora parecia tão simples e tão diferente, tão menos óbvio. Era triste não sentir o sabor daquilo que parecia doce mas que era apenas uma brincadeira de menino.

Estava acostumado a pensar que vivia a mil por hora quando, na verdade, nunca havia saído do lugar. Enxergar e deixar de brincadeira faz mesmo muita diferença.

Avelar Jr é colunista no Púlpito Cristão
http://www.pulpitocristao.com

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

NÃO JULGUE OS SEUS IRMÃOS NA FÉ

Aceitem entre vocês quem é fraco na fé sem criticar as opiniões dessa pessoa. Por exemplo, algumas pessoas crêem que podem comer de tudo, mas quem é fraco na fé come somente verduras e legumes. Quem come de tudo não deve desprezar quem não faz isso, e quem só come verduras e legumes não deve condenar quem come de tudo, pois Deus o aceitou. Quem é você para julgar o escravo de alguém? Se ele vai vencer ou fracassar, isso é da conta do dono dele. E ele vai vencer porque o Senhor pode fazê-lo vencer. Algumas pessoas pensam que certos dias são mais importantes do que outros, enquanto que outras pessoas pensam que todos os dias são iguais. Cada um deve estar bem firme nas suas opiniões. Quem dá mais valor a certo dia faz isso para honrar o Senhor. E também quem come de tudo faz isso para honrar o Senhor, pois agradece a Deus o alimento. E quem evita comer certas coisas faz isso para honrar o Senhor e dá graças a Deus. Porque nenhum de nós vive para si mesmo e nenhum de nós morre para si mesmo. Se vivemos, é para o Senhor que vivemos; e, se morremos, também é para o Senhor que morremos. Assim, tanto se vivemos como se morremos, somos do Senhor. Pois Cristo morreu e viveu de novo para ser o senhor tanto dos mortos como dos vivos. Portanto, por que é que você, que só come verduras e legumes, condena o seu irmão? E, você, que come de tudo, por que despreza o seu irmão? Pois todos nós estaremos diante de Deus para sermos julgados por ele. É isto o que as Escrituras Sagradas dizem: “Juro pela minha vida, diz o Senhor, que todos se ajoelharão diante de mim e todos afirmarão que eu sou Deus.” Assim, cada um de nós prestará contas de si mesmo a Deus.

NÃO FAÇA OS SEUS IRMÃOS CAÍREM

Por isso paremos de criticar uns aos outros. Pelo contrário, cada um de vocês resolva não fazer nada que leve o seu irmão a tropeçar ou cair em pecado. Por estar unido com o Senhor Jesus, eu estou convencido de que nada é impuro em si mesmo. Mas, se alguém pensa que alguma coisa é impura, então ela fica impura para ele. Se você faz com que um irmão fique triste por causa do que você come, então você não está agindo com amor. Não deixe que a pessoa por quem Cristo morreu se perca por causa da comida que você come. Não dêem motivo para os outros falarem mal daquilo que vocês acham bom. Pois o Reino de Deus não é uma questão de comida ou de bebida, mas de viver corretamente, em paz e com a alegria que o Espírito Santo dá. E quem serve a Cristo dessa maneira agrada a Deus e é aprovado por todos. Por isso procuremos sempre as coisas que trazem a paz e que nos ajudam a fortalecer uns aos outros na fé. Por uma questão de comida, não destrua o que Deus fez. Todos os alimentos podem ser comidos, mas é errado comer alguma coisa quando isso faz com que outra pessoa caia em pecado. O que está certo é não comer carne, não beber vinho, nem fazer qualquer outra coisa que leve um irmão a cair em pecado. Mas guarde entre você mesmo e Deus o que você crê a respeito desse assunto. Feliz a pessoa que não é condenada pela consciência quando faz o que acha que deve fazer! Mas quem tem dúvidas a respeito do que come é condenado por Deus quando come, pois aquilo que ele faz não se baseia na fé. E o que não se baseia na fé é pecado.

Romanos 14: 1-17

terça-feira, 19 de outubro de 2010

AUTORIDADE ESPIRITUAL

Hoje colocarei algo muito importante que já algum tempo vem me incomodando em meu coração. Pra variar algo relacionado à Eclesiologia.

Navegando pela internet, outro dia me deparei com um site de uma renomada igreja, onde pude constatar um artigo que me deixou muito preocupado. Segue o mesmo transcrito abaixo:


O QUE A BÍBLIA DIZ SOBRE AUTORIDADE ESPIRITUAL

“Porque a rebelião é como o pecado de feitiçaria, e a obstinação é como a idolatria...” (I Sm 15:23)

Deus nos chama não só para receber a Sua vida através da fé, mas para manter Sua autoridade através da submissão às pessoas que Ele mesmo estabeleceu como liderança sobre nossas vidas: Veja o que diz Romanos 13:1-7:

“Toda a alma esteja sujeita às autoridades; porque não há autoridade que não venha de Deus; e as autoridades que há foram ordenadas por Deus. Por isso quem resiste à autoridade resiste à ordenação de Deus; e os que resistem trarão sobre si mesmos a condenação. Porque os magistrados não são terror para as boas obras, mas para as más. Queres tu, pois, não temer a autoridade? Faze o bem, e terás louvor dela. Porque ela é ministro de Deus para teu bem. Mas, se fizeres o mal, teme, pois não traz debalde a espada; porque é ministro de Deus, e vingador para castigar o que faz o mal. Portanto é necessário que lhe estejais sujeitos, não somente pelo castigo, mas também pela consciência. Por esta razão também pagais tributos, porque são ministros de Deus, atendendo sempre a isto mesmo. Portanto, dai a cada um o que deveis: a quem tributo, tributo; a quem imposto, imposto; a quem temor, temor; a quem honra, honra.”

A igreja é um lugar onde essa obediência deve ser exercitada. Sabemos que todos os dons e ministérios exercidos na igreja são igualmente necessários e importantes no Reino de Deus, no entanto, algumas funções tem o objetivo de liderar, coordenar, orientar, organizar, ir na frente: pastores, diáconos, professores, líderes de ministério, dirigentes de grupo (Ef 4:11-12)... As pessoas que, pela graça, ocupam tais funções, tem autoridade espiritual sobre os demais. Reconhecer esta autoridade é um exercício que nos ajuda a nos submeter à autoridade de Deus.

O pecado de rebelião é muito sério pois, aos olhos de Deus, aqueles que rejeitam seus servos, o rejeitam.

Quando o reino de Israel foi estabelecido, o rei Saul foi ungido por Deus. Davi, mesmo tendo a promessa de que um dia seria o rei de Israel, não antecipou os acontecimentos, antes disse: “O Senhor me guarde, de que eu estenda a mão contra o seu ungido.” (I Sm. 26:11). Davi sabia que se estendesse as suas mãos contra Saul, estaria se rebelando não contra Saul, mas contra a unção que Deus havia dado a ele. Eis um homem que sabia realmente se posicionar debaixo da autoridade do Senhor...

Todo cristão deve ser sensível em dois pontos: com o pecado e com a autoridade. Onde quer que você vá, pergunte: “- A quem devo obedecer?” Ao tomar consciência da autoridade em sua vida, você será capaz de perceber a autoridade de Deus em toda parte. E lembre-se: rejeitar uma autoridade delegada é afrontar diretamente a Deus.

“Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a eles; porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas” (Hb 13:17)

Fim do texto do site.

Fonte: http://www.terceirabatista.org.brl



Gostaria agora de colocar a minha opinião e análise ao texto supracitado acima. Tal opinião pode ser considerada como uma Refutação exegética de caráter de “alerta à Igreja”:

Após a leitura deste artigo citado acima, fico assustado e pensando comigo mesmo; aonde esse povo vai parar? Fiquei estupefato com tamanha distorção Bíblica!

Muitos vão me criticar e até dizer que eu estou sendo “rebelde” conforme o artigo citado acima, mas se eu concordar com tudo isso sem ao menos verificar como os crentes de Beréia (At 17:10-15) se realmente este texto está correto com a Bíblia, eu estaria sendo apenas mais um alienado a este sistema herético e manipulador que infelizmente existe atualmente em muitas igrejas, onde os pastores e líderes são colocados como pessoas possuidoras por uma “unção especial” e que não podemos “tocar nos ungidos de Deus”, que jamais devemos questionar ou discordar, se não corremos o sério risco de sermos excomungados pela congregação e ainda taxados de rebeldes e amaldiçoados por Deus. Eles são os “super-crentes”, ninguém mexe, ninguém questiona, ainda mais se for a tal “unção apostólica do povo apostólico” liderado pelos contemporâneos apóstolos e até apóstolas. São os pastores que jamais erram, os “vasos” irrepreensíveis que recebem uma determinada “unção especial” de Deus para conduzir o Corpo de Cristo, para proclamar tomada de territórios, para profetizar sobre o futuro e proferir palavras de “poder” para o povo. O pior de tudo é que os mesmos pregam uma cultura de alienação hierárquica e de domínio pastoral através de uma pregação teológica distorcida e baseada em erros teológicos graves, muitas vezes influenciado por estrangeiros especialistas em “teologia da prosperidade”, dentre outras aberrações, que trazem seus modismos para o nosso país e influenciam muitas igrejas nestes últimos dias.

Eu como pastor sinto vergonha de tudo isso, mas com certeza não serei um alienado e meu papel é abrir os olhos do povo de Deus para esses “abusos pastorais”, pois temos que seguir a Palavra de Deus. O apóstolo Paulo advertiu à Timóteo sobre o dever do Crente em defender a Palavra de Deus a todo custo:

“Prega a palavra, insta, quer seja oportuno, que não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas.” 2 Tm 4:2-4

Portanto, peço que você que está lendo este artigo, ore e peça a direção do Espírito Santo para este assunto. Segue abaixo a minha refutação, que a mesma possa servir de alerta para Igreja:





Para iniciar, Romanos 13 não é direcionado a “autoridade eclesiástica”. Fazer tal afirmativa é forçar o texto através de falácias graves: “argumentum ad ignorantiam e Non Sequitur”.

Romanos 13, pelo contexto, é direcionado especificamente as “autoridades governamentais”. Não há evidência nem margem exegética nenhuma para afirmar que “também” é direcionada a “autoridade eclesiástica”. Quem afirmar o contrário está torcendo o texto sem respeitar o contexto, desrespeitando assim as regras de exegese e hermenêutica!

Para se ter uma idéia desta tamanha distorção, Jesus foi bem categórico quando falou sobre este mesmo assunto:

Então, Jesus, chamando-os, disse: Sabeis que os governadores dos povos os dominam e que os maiorais exercem autoridade sobre eles. Não é assim entre vós; pelo contrário, quem quiser tornar-se grande entre vós, será esse o que vos sirva; e quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo; tal como o Filho do Homem, que não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos.” Mt 20:25-28 Grifo meu.

Nesta passagem a Bíblia nos narra quando a mulher de Zebedeu, mãe de Tiago e João veio até Jesus para pedir-lhe que colocasse em seu reino os dois filhos em posição de honra e autoridade ao lado direito e esquerdo de Jesus.(vs 21). Porém Jesus foi categórico com a mulher, como podemos constatar nos versos seguintes.

Será que Paulo, em Romanos estaria se contradizendo com JESUS sobre o tema? Com certeza não, quem se contradiz são aqueles que afirmam que Rm 13 é direcionado também para a autoridade eclesiástica. Aliás, sobre essa suposta “autoridade espiritual” dos pastores sobre os crentes, quero comentar a respeito.

A única autoridade espiritual que existe na igreja perante os crentes é JESUS. A Bíblia diz em Mt 28:18 “Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”.

Jesus é o cabeça do corpo de Cristo, nós todos somos os membros. Nenhum membro do corpo pode exercer superioridade através de autoridade espiritual a um outro membro, somente o cabeça (que é Cristo), é que controla todo o corpo. É assim na igreja. Jesus tem autoridade sobre toda a igreja. Todo crente que estiver em Cristo tem a mesma autoridade espiritual que nos é concedida através de Jesus. O véu foi rasgado, todos nós temos acesso. A unção é a mesma, a autoridade é a mesma, o acesso ao Pai é igual para todos! (Veja 1 Co 12).

Portanto, não existe base bíblica neo-testamentária para que um crente tenha autoridade espiritual sobre outro crente. Isso é invenção de líderes dominadores que querem manipular e controlar o rebanho da Igreja de Cristo.

A igreja com certeza é uma instituição organizada que foi estabelecida por Cristo, pois sabemos que existem dons e ministérios necessários para a edificação e organização do Corpo. Sabemos também que algumas funções têm como objetivo de liderar e coordenar a igreja. Se não fosse assim seria uma verdadeira bagunça, todo mundo iria mandar e desmandar e o culto ao nosso Deus com decência e ordem não seria possível. Porém é importante que se diga que nenhum desses dons possui “autoridade espiritual” sobre os demais crentes. Vejamos:

Em 1º lugar:

Alguns desses dons estão citados em Ef 4:11-12. Muitos pastores e líderes manipuladores citam esta passagem e afirmam que existe uma “hierarquia” ministerial na Igreja, dando uma conotação de “poderes especiais” para determinados membros do Corpo de Cristo. Porém, esta passagem jamais pode ser interpretada desta maneira.

Efésios 4:11 não mostra uma corporação de clérigos quando diz, “Ele mesmo deu uns para apóstolos, e outros para profetas, e outros para evangelistas, e outros para pastores e doutores. . .”

De maneira alguma isso acontece. Efésios 4 tem em vista aqueles dons que equipam a igreja para a diversidade do serviço (vv. 12-16). Os dons enumerados no texto são na realidade pessoas dotadas para capacitar a igreja (vv. 8,11). Estes são os dons que o Espírito Santo reparte a cada individuo como Ele quer (1 Cor. 12:11).

Em outras palavras, Efésios 4 não trata dos dons dados a homens e mulheres como uma estrutura hierárquica. Trata de homens e mulheres providos de dons que são dados à igreja. Apóstolos, profetas, evangelistas e pastores/mestres são pessoas que o Senhor levantou e outorgou à igreja para sua formação, coordenação e edificação.

Sua tarefa principal é nutrir a comunidade de crentes para que participem responsavelmente de acordo com os princípios divinos. O êxito desta tarefa se fundamenta na habilidade que possuem para capacitar e mobilizar os santos para a obra do ministério. Desta maneira, os dons de Efésios 4 equipam (do grego: katartízo = completar, preparar; e katartismós = capacitação, aperfeiçoamento) o Corpo de Cristo para que este leve a cabo o propósito eterno de Deus.

Estes dons não são ofícios nem posições formais hierárquicas. Tais termos gregos não constam do texto. Trata-se de irmãos com dons “habilitadores” peculiares, dados para cultivar os ministérios de seus irmãos.

Os apóstolos capacitaram a igreja desde seu nascimento, ajudando-a até que pudessem caminhar pelos próprios pés.

Os profetas adestraram a igreja falando a ela a palavra presente do Senhor, confirmando os dons de cada membro, preparando-a para as provas futuras.

Os evangelistas habilitam a igreja servindo como modelo na pregação das boas novas aos perdidos. Os pastores/mestres instruem a igreja cultivando sua vida espiritual por meio da exposição da Escritura.

Alguns crêem que pastores e mestres são dois ministérios separados, enquanto que outros os vêem como dimensões distintas do mesmo ministério. Nesse último conceito, pastorear seria o lado privado deste ministério, enquanto que seria o lado público.

Os ministérios de Efésios 4 (eventualmente chamados como “o quíntuplo ministério”) não equivalem à liderança da igreja. Apóstolos, profetas, evangelistas e pastores/mestres podem ser anciãos ou não.

Em suma, Efésios 4:11 não contempla coisas como clero assalariado, ministério profissional ou algum tipo de sacerdócio fabricado. Tampouco se refere a uma classe diferente de cristãos ou uma hierarquia eclesiástica. Assim como o catálogo de dons apresentados por Paulo em 1 Coríntios 12:28, Efésios 4 tem em vista funções especiais em vez de posições formais.


Em 2º lugar:

O texto do site citado no início coloca certa ligação entre “autoridade de Rm 13” com Hb 13:17 que nos diz:

“Obedecei aos vossos guias e sede submissos para com eles; pois velam por vossa alma, como quem deve prestar contas, para que façam isto com alegria e não gemendo; porque isto não aproveita a vós outros”.


Analisando esta passagem:

Obedecei = deixar-se guiar / submeter-se
Submisso (vocábulo "submeter") = grego: hupotaso = sujeição voluntária / obediente / respeitoso / sujeito.

Repare agora na diferença etimológica comparando-se à palavra “autoridade” citada em Rm 13:

Autoridade = poder de mandar / domínio / poder público. (dicionário Aurélio).

Termo grego para autoridade: Exousia = deriva da palavra exestin, que significa uma ação possível e legítima que pode ser levada a cabo sem obstáculo.

A autoridade (exousia) relaciona-se com manifestação e comunicação de poder. Mais especificamente, a autoridade é o direito de realizar uma ação particular. A Escritura ensina que Deus é a fonte única de toda autoridade (Rom. 13.1), e esta autoridade foi conferida a Seu Filho (Mat. 28:18; João 3:30-36; 17:2).
Apenas Jesus Cristo tem autoridade. O Senhor Jesus disse claramente, “Toda autoridade me foi dada no céu e sobre a terra”. Ao mesmo tempo, Deus delegou Sua autoridade aos homens e mulheres deste mundo para propósitos específicos.
Por exemplo, na ordem natural, Deus instituiu diversas esferas onde Sua autoridade deve ser exercida (Efésios 5:22-6:18; Col. 3:18-25). Estabeleceu certas “autoridades oficiais” com o propósito da preservação da ordem sob o sol. Aos oficiais governamentais, como reis, magistrados e juízes, foi dada esta autoridade (João 19:10, 11; Rom. 13:1 ss.; 1 Tim. 2:2; 1 Ped. 2:13-14).
A autoridade oficial é autoridade conferida a um oficio estático. Funciona independente das ações da pessoa que a ocupa. A autoridade oficial é autoridade posicional e fixa. Enquanto a pessoa ocupar o cargo, tem autoridade.
Quando alguém exerce as funções de autoridade, o recipiente chega a ser “uma autoridade” por seu próprio direito. É por esta razão que se exorta aos cristãos que se sujeitem aos líderes governamentais – não importando seu caráter (Rom. 13:1ss.; 1 Ped. 2:13-19).
Nosso Senhor Jesus, assim como Paulo, mostraram espírito de sujeição quando compareceram ante a autoridade oficial (Mat. 26:63-64; Atos 23:2-5). De maneira similar, devemos sempre nos sujeitar a esta autoridade. A ausência de lei e o desprezo pela autoridade são sinais de uma natureza pecadora (2 Ped. 2:10; Judas 8). Ao mesmo tempo, a sujeição e a obediência são duas coisas bem diferentes, e é um erro fatal confundi-las.
Sujeição Versus Obediência
Em que difere a sujeição da obediência? A sujeição é uma atitude. A obediência é uma ação. A sujeição é absoluta. A obediência é relativa. A sujeição é incondicional. A obediência é condicional. A sujeição é um assunto interior. A obediência é um assunto exterior.
Deus nos convoca a ter um espírito de humilde sujeição diante daqueles que Ele colocou em autoridade sobre nós na ordem natural. Contudo, não podemos obedecer-los se nos mandam fazer o que viola Sua vontade, porque a autoridade de Deus é maior que qualquer autoridade terrena.
Não obstante, você pode desobedecer enquanto se submete. Pode desobedecer a uma autoridade terrena mantendo um espírito de humilde sujeição. Pode desobedecer e ao mesmo tempo manter uma atitude de respeito e reverencia distinto do espírito de rebelião, injuria e subversão (1 Tim. 2:1-2; 2 Ped. 2:10; Judas 8).
A desobediência das parteiras hebréias (Ex. 1:17), os três jovens hebreus (Dn. 3:17-18), Daniel (Dn. 6:8-10), e os apóstolos (Atos 4:18-20; 5:27-29) exemplificam o principio de estar sujeito a uma autoridade oficial ao mesmo tempo em que desobedece quando esta se choca com a vontade de Deus.
Se Deus estabelece autoridade oficial para operar na ordem natural, ele não instituiu este tipo de autoridade na igreja. É por essa razão que os líderes eclesiásticos silenciam diante dos argumentos de Paulo na esfera da autoridade em Efésios 5-6 e Colossenses 3.
Deus dá autoridade (exousia) aos crentes para exercer certos direitos. Entre eles está a autoridade (exousia) de serem feitos filhos de Deus (João 1:12), possuir propriedades (Atos 5:4), decidir casar-se ou não (1 Cor. 7:37), decidir o que comer ou beber (1 Cor. 8:9), curar enfermidades (Mar. 3:15), expulsar demônios (Mat. 10:1; Mar. 6:7; Luc. 9:1; 10:19), edificar a igreja (2 Cor. 10:8; 13:10), receber bênçãos especiais associadas a certos ministérios (1 Cor. 9:4-18; 2 Tes. 3:8-9), ter autoridade sobre as nações e comer da árvore da vida no reino futuro (Ap. 2:26; 22:14).
Mas em nenhuma parte a Bíblia ensina que Deus deu autoridade (exousia) aos crentes sobre outros crentes!
Recordemos a palavra de nosso Senhor em Mateus 20:25-26 e Lucas 22:25-26 onde condena as formas de autoridade tipo exousia entre seus seguidores. Este fato deve ser motivo para uma séria reflexão.
Portanto, sugerir que os líderes na igreja devem exercer o mesmo tipo de autoridade que os dignitários representa logicamente um salto e uma excessiva generalização. Uma vez mais, o NT nunca vincula a exousia aos líderes da igreja, nem estabelece que alguns crentes tenham exousia sobre outros crentes.
Sem dúvida, o AT descreve os profetas, sacerdotes, reis e juízes, como autoridades oficiais. Isto se deve ao fato destes “ofícios” serem sombras da autoridade ministerial do próprio Jesus Cristo. Cristo é o verdadeiro Profeta, Sacerdote, Rei e Juiz. Mas no NT nunca encontramos qualquer passagem que descreva ou represente algum líder enquanto autoridade oficial. Isto inclui os guardiões locais, assim como aos obreiros de fora.
Para ser franco, a noção de que os cristãos têm autoridade sobre outros cristãos é um exemplo de exegese forçada e, como tal, é biblicamente insustentável. Quando os líderes da igreja exercem o mesmo tipo de autoridade que desempenham os oficiais governamentais, tornam-se usurpadores!
Certamente, a autoridade funciona na igreja, mas esta autoridade que funciona na ekklesia é notavelmente diferente da que se exerce na ordem natural. Isto faz sentido na medida em que a igreja não é uma organização humana, mas um organismo espiritual. A autoridade que opera na igreja não é oficial. É orgânica!
Em 3º Lugar:
Muitos pastores e líderes, sempre quando alguém nota algo errado e tenta questiona-los e exortá-los, os mesmos respondem em um tom de repressão, citando a famosa frase “não toqueis nos meus ungidos”.
Quero agora desmistificar esta passagem com uma refutação bem simples.


A expressão "ungido do Senhor" é bíblica e ocorre exatas oito vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Seis destas oito menções fazem referência ao rei Saul. Uma faz referência ao Rei Davi e uma diz respeito ao Ungido do Senhor como aguardado pelo profeta Jeremias. As menções aos reis Saul e Davi, deixam bem claro que os ungidos do Senhor não eram homens imunes nem a erros, nem a críticas e muito menos à disciplina por parte do Senhor. Ver a lista completa de versículos que trazem a expressão "ungido do Senhor" no final deste artigo.

A expressão "teu ungido" é também bíblica e ocorre seis vezes no texto hebraico do Antigo Testamento. Destas seis, uma diz respeito ao rei Davi e todas as outras ao Ungido como esperado pelo povo de Israel. Novamente a referência ao rei Davi é um claro indicativo que o "ungido do Senhor" era alguém passível de cometer erros, de sofrer críticas e, no caso específico de Davi, de sofrer graves conseqüências por pecados cometidos. Ver a lista completa de versículos que trazem a expressão "teu ungido" no final deste artigo.

A expressão "meu ungido", da mesma forma que as duas anteriores, é bíblica e ocorre duas vezes no texto hebraico do antigo testamento. As duas referências dizem respeito ao Messias ou Ungido como esperado pelo povo de Israel. Ver a lista completa de versículos que trazem a expressão "meu ungido" no final deste artigo.

Por sua vez, a expressão "seu ungido", ocorre onze vezes no texto hebraico do Antigo Testamento e uma única vez no texto grego do Novo Testamento. Estas onze referências estão assim distribuídas:

* 5 vezes fazem referência ao Ungido como o esperado Messias de Israel.
* 3 vezes fazem menção a Saul.
* 1 vez diz respeito à Eliabe, irmão de Davi.
* 2 vezes a citação é referente ao rei Davi.
* 1 vez ao imperador dos Medos, Ciro.

Desta maneira fica fácil notar que quando não se refere ao Ungido que representa o Senhor Jesus, os textos falam de homens que foram tão pecadores como qualquer um de nós. A unção para ser rei sobre o povo de Israel, conferida a Saul e a Davi, não era nenhuma garantia de que aqueles homens estavam imunes do poder do pecado, ou que não poderiam ser criticados e que estariam completamente isentos da disciplina de Deus. Ver a lista completa de versículos que trazem a expressão "seu ungido" no final deste artigo.

Por fim restam as duas referências que trazem de forma explícita a expressão "não toqueis nos meus ungidos". Estas referências são:

1 Crônicas 16:22 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.

Salmos 105:15 dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.

Antes de analisarmos estes versículos é necessário dizer que os mesmos são idênticos e isto por um bom motivo. O verso de 1 Crônicas é parte de uma compilação de Salmos que se estende do verso 7 até o verso 36 do capítulo 16 de 1 Crônicas. Esta compilação contém partes dos salmos 96, 105 e 106.

Conforme dissemos, os dois versículos são idênticos, portanto, a interpretação de um servirá como interpretação para o outro também. A questão mais importante para nós, neste momento, é definir acerca de quem o salmista está falando? Quem são os ungidos do Senhor? O contexto deixa isto bem claro, e por ele nós podemos ter certeza absoluta quem são as pessoas a quem o Senhor se refere como sendo os "ungidos do Senhor" e de "meus profetas". Salmos 105:8 - 15 diz o seguinte:

“Lembra-se perpetuamente da sua aliança, da palavra que empenhou para mil gerações; a aliança que fez com Abraão e do juramento que fez a Isaque; o qual confirmou a Jacó por decreto e a Israel por aliança perpétua, dizendo: Dar-te-ei a terra de Canaã como quinhão da vossa herança. Então, eram eles em pequeno número, pouquíssimos e forasteiros nela; andavam de nação em nação, de um reino para outro reino. A ninguém permitiu que os oprimisse; antes, por amor deles, repreendeu a reis, dizendo: Não toqueis nos meus ungidos, nem maltrateis os meus profetas.”

O texto é absolutamente cristalino. Aqueles que são chamados de "ungidos do Senhor" e de "meus profetas" são os descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. São os Israelitas. Todos e cada um deles. Ninguém que pertença verdadeiramente ao povo de Israel é deixado de fora.

Portanto, como dissemos, o mito de que os pastores constituem-se em os "ungidos do Senhor", como uma casta distinta e superior a todos os crentes, não passa realmente de uma invencionice perversa cujo único propósito é munir homens perversos com mecanismos que os possibilitem abusar de suas ovelhas. Precisamos retornar, de maneira urgente, ao padrão bíblico do pastor-servo à imitação do próprio Senhor Jesus.
Para um estudo mais exaustivo e completo, eu recomendo (altamente recomendável) a leitura do artigo original desta explicação sobre o tema “ungidos do Senhor” no site “JESUSSITE” através do seguinte link:
http://www.jesussite.com.br/acervo.asp?Id=1276

Para finalizar:

Nós devemos ter os nossos líderes e pastores de uma maneira respeitosa e submissa no sentido de “deixar os mesmos nos guiar na Palavra e no ensino de Deus”, devemos confiar, de coração aberto, os mesmos sendo servos de Deus para cuidar, apascentar e ensinar a Igreja de Cristo e também para coordenar a igreja em sua forma funcional e organizacional. O Pastor merece honra, reconhecimento e respeito de todos da Igreja. Porém o Pastor também é humano, sujeito a erros e a pecados, bem como a exortação e repreensão.

Mas, jamais devemos ter nossos pastores ou líderes como se fossem superiores aos demais irmãos da igreja, como se os mesmos possuíssem “unção diferenciada” ou “poderes especiais”. É um erro tremendo ter os mesmos como um “ser especial com unção diferenciada super-crente cobertura espiritual”. Somos co-herdeiros em Cristo, o véu foi rasgado, temos acesso à vida através de Jesus e a unção procede diretamente de Deus para todo o Corpo de Cristo. Temos todos a mesma unção, os mesmos direitos e não precisamos de nenhum “homem mediador” para ter acesso ao pai. O único mediador entre Deus e os homens é JESUS CRISTO!

Que o povo de Deus possa abrir os olhos para os líderes manipuladores!

Em Cristo,

Ruy Marinho

obs.: Recomento a leitura do livro on line "Quem é tua Cobertura" de Frank A. Viola, clique aqui para ler o mesmo na íntegra.

TEXTO RETIRADO DO BLOG: BEREIANOS | APOLOGÉTICA CRISTÃ REFORMADA (http://bereianos.blogspot.com/2007/11/cuidado-com-os-pastores-dominadores.html)

sábado, 16 de outubro de 2010

Dez acusações contra a igreja moderna (4ª Acusação)

Dez acusações contra a igreja moderna


Por Paul Washer


Quarta acusação: Uma ignorância do evangelho de Jesus Cristo.



. . Nossa quarta acusação: Uma ignorância do evangelho de Jesus Cristo.
. . Eu quero submeter a você esta noite que este país não é endurecido ao evangelho. É ignorante do evangelho, porque a maioria dos seus pastores o é. E deixe-me repetir isto. O problema deste país não são os políticos liberais, a raiz de socialismo, Hollywood ou qualquer outra coisa. É o, assim chamado, pastor evangélico de nossos dias e o pregador de nossos dias e o evangelista de nossos dias. É aí que o problema deve ser encontrado. Nós não conhecemos o evangelho. Nós pegamos o glorioso evangelho de nosso Bendito Deus e o reduzimos a “quatro leis espirituais” e “cinco coisas que Deus quer que você saiba”, com uma pequena e supersticiosa oração no final que se alguém repetir depois de nós com bastante sinceridade nós o declaramos, de uma forma papal, nascida de novo.
. . Nós trocamos regeneração por “decisionismo”.

. . Em primeiro lugar, eu estou pasmo com quantos crentes devotos, andando na fé há 30 ou 40 anos, virão a mim, depois de eu falar sobre o que eu vou falar por alguns poucos minutos, com lágrimas dizendo: “Irmão Paul, que eu nunca ouvi isto antes em minha vida”. E, entretanto, esta é a doutrina histórica de redenção, de propiciação.
. . Veja! Quando você falar sobre o evangelho, meu querido amigo, o faça claramente. O evangelho começa com a natureza de Deus e vai para a natureza do homem e a queda deste. Essas duas grandes colunas do evangelho vêm montar para nós o que deveria ser chamada e conhecida por cada crente como “o grande dilema”. E o que é este dilema? Se Deus é justo ele não pode te perdoar.
. . O maior problema em todas as Escrituras é este. Como Deus pode ser justo e ao mesmo tempo o justificador de homens maus, quando as Escrituras por toda a Bíblia declaram — especialmente em um texto que eu tirei de Provérbios — “O que justifica o ímpio, e o que condena o justo, tanto um como o outro são abomináveis ao SENHOR.” (Pv 17: 15). E ainda assim, todas nossas canções cristãs ostentam sobre como Deus justifica o perverso.
. . Este é o maior problema. Esta é a acrópole da fé cristã. Assim disse Martyn Lloyd-Jones e Charles Spurgeon e qualquer outro que leu Romanos 3. Você tem que mostrar isto às pessoas. O grande problema é que Deus é verdadeiramente justo e todos os homens são verdadeiramente maus. Deus para ser justo deve condenar o homem mau. Entretanto Deus, para a própria glória dele, pelo grande amor com que ele nos amou, enviou seu Filho, o qual caminhou nesta terra como um homem perfeito. E, então, de acordo com o plano, o plano eterno de Deus, ele foi àquele madeiro. E naquele madeiro, ele tomou nosso pecado. E, assumindo a posição legal de seu povo e carregando a nossa culpa, ele se tornou uma maldição.

“Maldito todo aquele que não persiste em praticar
todas as coisas escritas no livro da Lei” (Gálatas 3:10)
. . Cristo nos resgatou da maldição se tornando uma maldição em nosso lugar.
. . Tantas pessoas têm esta visão romântica, impotente do evangelho onde o Cristo está lá, pendurado no madeiro, sofrendo debaixo das feridas do Império Romano, e o Pai não teve a força moral para agüentar o sofrimento de Filho dele, e, por isso, virou Sua face.
. . NÃO!!
. . Ele se virou porque o Filho dele se tornou pecado.
. . E tantos, quando Ele está naquele jardim e grita “passa de mim este cálice”, especulam: “Bem, o que esteve no cálice? Oh, é a cruz romana. É o chicote. São os cravos. É tudo isso e tudo aquilo.”
Eu não quero desconsiderar os sofrimentos físicos de Cristo naquele madeiro, mas o cálice era o cálice da ira de Deus Pai que teve que ser despejada sobre o Filho. Alguém teve que morrer, suportando a culpa do povo de Deus, desamparado por Deus pela justiça dele e esmagado debaixo da ira de Deus, pois “ao SENHOR agradou moê-lo”. (Isaías 53: 10)
. . Eu estava na Alemanha um tempo atrás ou em um seminário alemão na Europa há um tempo e vi este livro “A Cruz de Cristo” – não era o livro de John Stott, era outro. Eu o peguei e comecei a ler e isto é o que ele dizia: “O Pai olhou do céu para o sofrimento infligido sobre Seu Filho pelas mãos de homens e considerou isto como pagamento pelos nossos pecados.”
. . Isso é heresia.
. . Agora, aquele sofrimento físico, aquela crucificação era tudo parte da ira de Deus. Teve que ser um sacrifício de sangue. Eu não desprezarei nada disso. Mas, meu amigo, se você parar aí, você não tem um evangelho.
. . E deixe-me lhe perguntar: Quando o evangelho é pregado e compartilhado em evangelismo pessoal atualmente, você sequer ouve as coisas que eu há pouco disse? Quase nunca. Nunca é deixado claro que Cristo pôde redimir porque Ele foi moído debaixo da justiça de Deus e tendo satisfeito a justiça divina com a Sua morte, Deus é, agora, justo e o justificador de ímpios.
. . Redução de evangelho.
. . E nós ainda nos perguntamos por que não há nenhum poder nele. Nós nos perguntamos por quê. O que aconteceu? Eu irei te falar. Quando você deixa de lado o evangelho e não há mais nenhum poder em sua suposta mensagem do evangelho, você, então, tem que recorrer a todos aqueles pequenos truques de mercado, que são tão proeminentemente usados hoje em dia para converter os homens. E nós todos conhecemos a maioria deles. Todos eles não funcionam.
. . Meu querido amigo, deixe-me dizer isto. Vários anos atrás, quando eu estava me formando do seminário eu tive que tomar uma decisão se eu ia ir fazer meu Ph.D. Deus, a fim de salvar minha vida espiritual, me enviou para o meio das selvas no Peru, o mais longe possível do mundo acadêmico que eu poderia ficar. E lá eu comecei a perceber algo.
. . Como disse Spurgeon, “Maiores homens, com mentes maiores que a minha, se aproximaram desta doutrina da Segunda Vinda, mas em vão. É uma grande e poderosa doutrina.” Ele disse, “eu me fixarei nisto: buscar compreender algo sobre Jesus Cristo e ele crucificado.”
. . Deixe-me lhe falar isto. Eu fico tão bravo quando as pessoas tratam o glorioso evangelho de Cristo como se fosse um primeiro passo para entrar no Cristianismo, que só leva aproximadamente 10 minutos de aconselhamento e então você parte para coisas maiores. Isso lhe mostra como nós somos patéticos em nosso entendimento das coisas de Deus.
. . Meu amigo, no dia da Segunda Vinda você entenderá absolutamente tudo sobre a Segunda Vinda, mas você estará em eternidade de eternidades no céu e você vai nem mesmo começar a compreender a glória de Deus no Calvário. É tudo sobre isto.
. . Moço, jovem pregador, me escute. Persiga-O naquele madeiro. O que significa. Você não precisará construir fogos estranhos em seu forno, se você só pegar um relance do que ele fez naquele madeiro, o que ele fez naquele madeiro.
. . Eu amo dizer isto. Eu já o disse um milhão de vezes. Abraão leva Isaque para cima daquela montanha. O filho dele, o único filho dele quem ele amou. Você supõe que o Espírito Santo estava tentando para nos falar sobre algo futuro? E aquele filho não resistiu, mas se entregou. E quando aquele pai rendeu sua vontade a vontade de Deus, ele levantou aquele cutelo para perfurar o próprio coração de seu filho. Mas a mão dele foi detida e foi falado ao velho homem que Deus tinha provido um carneiro.
. . Tantos cristãos pensam: “Oh, que final bonito para aquela história.” Não é o fim. É o intervalo. Milhares de anos depois, Deus o Pai pôs Sua mão sobre Seu Filho, o único Filho dele quem ele amou, e tirou o cutelo da mão de Abraham e sacrificou Seu Filho Unigênito sob a plena força de Sua ira.
. . Agora você sabe por que aquele pequeno evangelho que você prega não tem nenhum poder? Porque não é nenhum evangelho. Vá ao evangelho. Gaste sua vida em seus joelhos. Se afaste dos homens. Estude a cruz.

terça-feira, 12 de outubro de 2010

Paul Washer - Dez Acusações (3ª Acusação)

Terceira Acusação: uma falha ao falar da depravação do homem



. . A terceira acusação: uma falha ao falar da depravação do homem.
. . Quando eu olho para o livro de Romanos, que é um dos meus livros preferidos da Bíblia, ele não é uma teologia sistemática, mas se você pudesse dizer que qualquer livro da Bíblia foi uma teologia sistemática o livro de Romanos seria o mais próximo. Não é surpreendente que Paulo gasta os três primeiros capítulos do livro procurando fazer uma coisa? Levar todos os homens à condenação. Levar todos os homens à condenação.
. . Mas não é que a condenação seja seu grande bem supremo de sua teologia. Não é o seu fim ou o seu objetivo final. É um meio para trazer salvação para seus leitores, porque os homens têm que ser levados ao conhecimento de si próprios, antes de entregar a si próprios a Deus. Hoje, os homens são feitos de tal modo decaídos que você tem que cortar deles absolutamente toda esperança na carne antes que eles possam ser levados a Deus.
. . Isto é importante em tudo, mas é especialmente importante no evangelismo.
. . Eu me lembro. Eu tinha 21 anos e tinha acabado de ser chamado para pregar e eu caminhava em uma antiga loja onde eles venderiam ternos para os ministros pela metade do preço. Eles têm feito isso por 50, 60 anos. E eu caminhava lá dentro, e eu estava procurando um terno em Paducah, Kentucky e inesperadamente a porta se abriu. Eu ouvi a campainha tocar. A porta se fechou. Havia um velho, velho homem em pé ali. Eu nunca peguei o nome dele, mas quando ele entrou, ele olhou para mim.
. . Ele disse: "Garoto, você foi chamado para pregar, não é?"
. . Eu disse: "Sim, senhor."
. . Ele era um velho, velho evangelista. Ele disse: "Você vê onde está aquele prédio fora deste prédio?
. . Eu disse, "Sim, senhor".
. . Ele disse: "Eu costumava pregar ali. O Espírito de Deus desceria e almas seriam salvas.”
. . Eu disse: "Senhor, por favor, me fale sobre isto."
. . Ele disse: "Não era nada como este evangelismo de hoje." Ele disse: "Nós pregaríamos por duas ou três semanas e não daríamos qualquer convite para os homens pecadores. Nós prepararíamos e prepararíamos e prepararíamos os corações dos homens até que o Espírito de Deus começasse a trabalhar e quebrantar seus corações.”
. . Eu disse: "Senhor, como você sabia quando o Espírito de Deus estava vindo para quebrantar seus corações?"
. . E ele disse: "Bem, deixe-me dar-te um exemplo." Ele disse: "Muitas décadas atrás eu entrei nessa loja para comprar um terno. Alguém tinha me dado $30 e me disse: "Pregador, vá comprar um terno para você amanhã." E quando eu atravessei a porta, um jovem balconista que cuidava da loja voltou-se e olhou para mim e quando ele olhou para mim ele caiu no chão e clamou, ‘Quem pode salvar um ímpio como eu?’. E eu sabia que o Espírito de Deus tinha caído sobre aquele lugar.”
. . Hoje em dia, nós simplesmente entramos e conversamos com eles e damos-lhes três perguntas exploratórias e perguntamos-lhes se eles querem orar uma oração e pedir para Jesus entrar em seus corações e os fazemos duas vezes mais filho do diabo, que nunca mais voltarão a serem abertos ao Evangelho por causa da mentira religiosa que nós, como evangélicos, temos vomitados de nossas bocas.
. . Vou dizer algo que Leonard Ravenhill costumava dizer: "Agora você entende porquê eu prego em vários lugares uma vez." Mas essa é a verdade.
. . Quando lidamos com o pecado superficialmente, em primeiro lugar, estamos lutando contra o Espírito Santo. “Quando ele vier, convencerá o mundo do pecado" (Jo 16: 8)
Há muitos pregadores populares, hoje, que estão mais preocupados em dar-lhes sua melhor vida agora do que uma na eternidade. E eles falam com orgulho sobre o fato deles não mencionarem o pecado em sua pregação. Eu posso dizer-lhes isto: o Espírito Santo não tem nada a ver com o ministério deles, senão que Ele esteja trabalhando contra. Essa seria a única coisa
. . Por quê? Quando um homem diz que ele não tem nenhum ministério que trata com o pecado do homem, o Espírito Santo o faz. É um ministério primário do Espírito Santo entrar e condenar o pecado do mundo. E, assim, saibam disso: quando você não trata especificamente, apaixonadamente, amorosamente com o homem e seu estado depravado, o Espírito Santo não está em nenhuma parte perto de você.
. . Ademais, nós somos enganadores quando lidamos de modo superficial com o mal dos homens, como pastores dos dias de Jeremias. “Eles tratam da ferida do meu povo como se não fosse grave. 'Paz, paz', dizem, quando não há paz alguma.” (Jr 6: 14)
. . Nós não somos apenas enganadores, mas somos imorais. Como um médico que nega o seu juramento hipocrático, pois ele não quer dizer más notícias a alguém, porque acha que a pessoa se rebelará contra ele, ficará zangado com ele, ficará triste. E, portanto, ele não diz a eles a notícia mais necessária para salvar suas vidas.
. . Eu ouço os pregadores de hoje. Eles dizem: "Não. Não, não, não, não, não. Você não entende, irmão Paul. Nós não somos como as pessoas do tempo de John e Charles Wesley. Não somos como a cultura que Whitefield se dirigiu ou Edwards. Não somos tão robustos como eles são. Nós estamos quebrados. Nós não temos tanta auto-estima. Nós somos frágeis. Nós não conseguimos suportar pregação como aquelas. "
. . Ouça-me. Alguma vez você já estudou a vida destes homens? A cultura deles também não podia suportar o que eles pregavam. Ninguém jamais foi capaz de suportar a pregação do evangelho. Ou eles se virarão contra ela com uma fúria de um animal ou eles se converterão.
. . E para dar-lhes uma coisa sobre nós sermos frágeis e não termos auto-estima: o nosso país e este mundo estão saturados com esta enfermidade nojenta da auto-estima. Nosso maior problema é que nós nos estimamos mais que estimamos a Deus.
. . Somos também ladrões quando não falamos muito sobre o pecado. Nós somos ladrões.
. . Deixe-me perguntar-lhe uma coisa. Esta tarde, esta manhã, onde foram todas as estrelas? Será que algum gigante cósmico veio e as recolheu em um cesto e as jogou em outro lugar? Aonde foram todas as estrelas esta manhã? Eles estavam lá, porém você não conseguia vê-las. Mas então, o céu ficou mais e mais escuro e quando virou uma noite negra como breu as estrelas saíram na plenitude de sua glória.
. . Quando você se recusa a ensinar sobre a depravação radical dos homens, é impossível que você glorifique a Deus, seu Cristo e a sua cruz, porque a cruz de Jesus Cristo e a glória deste é mais magnificada quando é colocada sobre o pano de fundo de nossa depravação.
Ela muito amou, porque foi muito perdoada. E ela sabia o quanto ela tinha sido perdoada, porque ela sabia quão depravada ela era.
. . Oh, nós estamos com medo de dizer aos homens sobre sua maldade e, por causa disso, eles nunca poderão amar a Deus. Temos roubado a oportunidade de se vangloriarem não em si mesmos, mas para seguir a exortação: "quem se gloriar, glorie-se no Senhor" (2 Co 10: 17).

sábado, 9 de outubro de 2010

Paul Washer - Dez Acusações (1ª Acusação)

Paul Washer - Dez Acusações (1ª Acusação)

Paul Washer - Dez acusações contra a igreja Moderna

Pregado quarta-feira, 22 de Outubro de 2008, na Conferência sobre Avivamento, em Atlanta, Geórgia. Paul Washer dá um apelo urgente para os cristãos e as igrejas na América do Norte, onde muitos têm crido em um falso evangelho e em uma falsa garantia de sua salvação. Ele enumera 10 acusações contra o moderno sistema de igreja na América. Esta é uma mensagem histórica urgente, informe outras pessoas e espalhe a mensagem. Precisamos de uma reforma e um avivamento nos padrões bíblicos!
Greg Gordon (Organizador da Conferência sobre Avivamento)

Paul Washer - Dez Acusações (0 - Oração e Introdução)

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

DEUS SEMPRE RESPONDE À ORAÇÃO?

A.W.Tozer

Contrariamente à opinião popular, o cultivo de uma psicologia da crença acrítica não é um bem incondicional e se levado longe demais, pode tornar-se positivamente um mal: O mundo inteiro caiu estupidamente nas arapucas do diabo, e a arapuca mais mortal é a religiosa. O erro nunca parece tão inocente como quando se acha no santuário.

Um campo em que armadilhas aparentemente inofensivas mas de fato mortais, aparecem em grande profusão é o da oração. As doces noções sobre oração existentes são tantas que não caberiam num volumoso livro, todas elas erradas e sumamente prejudiciais às almas dos homens.

Penso agora numa dessas falsas noções que se acha muitas vezes em locais aprazíveis, em sorridente consórcio com outras noções de inquestionável ortodoxia. É a de que Deus sempre responde à oração.

"Assim, quando uma oração não é respondida, ele só tem de sorrir vivamente e explicar: 'Deus disse Não'."

Este erro aparece entre os santos como uma espécie de terapia filosófica para todos os fins, para impedir que algum cristão decepcionado sofra um choque forte demais quando se evidencia que as suas expectativas, calcadas na oração, não se estão cumprindo. Dá-se a explicação de que Deus sempre responde à oração, seja dizendo Sim, seja dizendo Não, ou substituindo o favor desejado por alguma outra coisa.

Ora, seria difícil inventar um artifício mais bonito que esse para salvar a situação do suplicante cujos pedidos foram negados por sua desobediência. Assim, quando uma oração não é respondida, ele só tem de sorrir vivamente e explicar: "Deus disse Não". Isso tudo é muito cômodo. Sua hesitante fé é salva de confusão e permite que sua consciência minta tranqüilamente. Mas eu pergunto se isso é honesto.

Para receber-se resposta à oração, como a Bíblia emprega o termo e como historicamente os cristãos o têm entendido, dois elementos precisam estar presentes: (1) Um claro pedido feito a Deus, de um favor específico. (2) Uma clara concessão desse favor, feita por Deus, em resposta ao pedido. É preciso que não haja nenhum desvio semântico, nenhuma troca de rótulos, nenhuma alteração do mapa durante a viagem empreendida para ajudar o embaraçado turista a encontrar-se a si mesmo.

Quando nós dirigimos a Deus a petição de que Ele modifique a situação em que nos achamos, isto é, de que Ele responda a oração, precisamos preencher duas condições: (1) Devemos orar segundo a vontade de Deus e (2) devemos estar naquilo que os cristãos à moda antiga muitas vezes chamam de "território da oração"; isto é, devemos estar vivendo de modo agradável a Deus.

É vão pedir a Deus que aja de maneira contrária aos Seus propósitos revelados. Para orar com confiança, o peticionário deve assegurar-se de que a súplica se enquadra na livre vontade de Deus quanto ao Seu povo.

"...devemos estar naquilo que os cristãos à moda antiga muitas vezes chamam de 'território da oração';"

A segunda condição também é de vital importância. Deus não se pôs na obrigação de acatar pedidos de cristãos mundanos, carnais ou desobedientes. Ele só ouve e responde às orações dos que andam em Suas veredas. "Amados, se o coração não nos acusar, temos confiança diante de Deus; e aquilo que pedimos, dele recebemos, porque guardamos os seus mandamentos, e fazemos diante dele o que lhe é agradável... Se permanecerdes em mim e as minhas palavras permanecerem em vós, pedireis o que quiserdes, e vos será feito" (1 João 3:21, 22; João 15:7).

Deus deseja que oremos e deseja responder às nossas orações, mas Ele faz o nosso uso da oração como privilégio, fundir-se com o Seu uso da oração como disciplina. Para recebermos respostas à oração precisamos cumprir os termos de Deus. Se negligenciarmos os Seus mandamentos, as nossas _petições não serão levadas em consideração. Ele somente alterará situações à solicitação de almas obedientes e humildes. O sofisma, Deus-sempre-responde-às-orações, deixa sem disciplina o homem que ora. Pelo exercício desta peça de lisonjeiro casuísmo, ele ignora a necessidade de viver sóbria, justa e piedosamente neste mundo, e de fato entende a peremptória recusa de Deus a responder sua oração como sendo a própria resposta. É natural que tal homem não cresça em santidade; que nunca aprenda a lutar e a esperar; que nunca saiba o que é ser corrigido; que nunca ouça a voz de Deus, convocando-o para ir avante; que nunca chegue ao ponto em que estaria moral e espiritualmente apto para ter respondidas as suas orações. Sua filosofia errônea o arruinou.

Por isso exponho a má teologia em que se firma a sua má filosofia. O homem que a aceita nunca sabe onde está; nunca sabe se tem a verdadeira fé ou não, pois, se o seu pedido não é atendido, ele evita a conclusão certa com o artifício de declarar que Deus fez girar a coisa toda e lhe deu outra coisa. Ele não se sujeitará a atirar num alvo, de modo que não se sabe se é bom ou mau atirador.

"Por isso exponho a má teologia em que se firma a sua má filosofia."

De certas pessoas Tiago diz claramente: "... pedis, e não recebeis, porque pedis mal, para esbanjardes em vossos prazeres." Dessa breve sentença podemos aprender que Deus rechaça alguns pedidos porque aqueles que os fazem não são moralmente dignos de receber a resposta. Mas isto nada significa para aquele que foi seduzido pela crença em que Deus sempre responde à oração. Quando um homem desses pede e não recebe, faz um passe de mágica e identifica a resposta com alguma outra coisa. A uma coisa ele se apega com grande tenacidade: Deus nunca manda ninguém embora, mas invariavelmente atende todos os pedidos.

A verdade é que Deus sempre responde à oração que se harmoniza com a Sua vontade revelada nas Escrituras, contanto que aquele que ora seja obediente e confiante. Além disto não nos atrevemos a ir.


Fonte: Homem: Habitação de Deus - A. W. Tozer - Editora Mundo Cristão - p. 70 a 72.

terça-feira, 31 de agosto de 2010

O ENCONTRO COM DEUS CONTINUA!

Naquela noite Jacó levantou-se, tomou suas duas mulheres, suas duas servas e seus onze filhos para atravessar o lugar de passagem do Jaboque. Depois de havê-los feito atravessar o ribeiro, fez passar também tudo o que possuía. E Jacó ficou sozinho. Então veio um homem que se pôs a lutar com ele até o amanhecer. Quando o homem viu que não poderia domina-lo, tocou na articulação da coxa de Jacó, de forma que lhe deslocou a coxa, enquanto lutavam. Então o homem disse: Deixe-me ir, pois o dia já desponta. Mas Jacó lhe respondeu: Não te deixarei ir, a não ser que me abençoes.


O homem lhe perguntou: qual é o seu nome? Jacó, respondeu ele.


Então disse o homem: Seu nome não será mais Jacó, mas sim Israel, porque você lutou com Deus e com homens e venceu.


Prosseguiu Jacó: Peço-te que me digas o teu nome. Mas ele respondeu: Por que pergunta o meu nome? E o abençoou ali.


Jacó chamou aquele lugar Peniel, pois disse: Vi a Deus face a face e, todavia, minha vida foi poupada. Ao nascer do sol atravessou Peniel, mancando por causa da coxa. Por isso, até o dia de hoje, os israelitas não comem o músculo ligado à articulação do quadril porque nesse músculo Jacó foi frido.

Gênesis 32:22-31
Peniel faz mais sentido para nós hoje, do que quando fizemos o nosso Encontro. Afinal, quando fizemos o nosso Encontro estávamos mais curiosos e apreensivos com o que seria o Encontro em si e em adentrarmos aos tão afamados segredos do G12 do que qualquer outra coisa.


Jacó, quando chegou ao Val de Jaboque, era um homem experimentado na vida, já gozando de certa maturidade.


a) Havia deixado a casa dos pais há pelo menos vinte anos,


b) Trabalhara arduamente para o sogro e precisou de muita habilidade e graça para não ser passado para traz,


c) Tivera sua experiência pessoal com Deus, recebendo do próprio Deus Eterno a confirmação da promessa feita a Abraão e a Isaque – na visão da escada, em Gn 28:13ss E eis que o Senhor estava em cima dela, e disse: Eu sou o Senhor, o Deus e Abraão teu pai, e o Deus de Isaque: esta terra, em que estás deitado, ta darei a ti e à tua semente; E a tua semente será como o pó da terra, e estender-se-á ao ocidente, e ao oriente, e ao norte, e ao sul, e em ti e na tua semente serão benditas todas as famílias da terra. E eis que estou contigo, e te guardarei por onde quer que fores, e te farei tornar a esta terra; porque te não deixarei, até que te haja feito o que te tenho dito.


d) Constituíra família – por sinal uma grande família constituída de duas esposas legítimas, Raquel e Lia, mais duas concubinas, Bila e Zilpa, além de onze filhos homens.


Nós, também, hoje, avançamos na nossa experiência dentro da Visão que o Senhor nos deu. Meses já se passaram desde o seu Encontro, você passou por uma célula, pela escola de líderes, foi legitimado líder de célula, ganhou discípulos, foi legitimado doze... Aparentemente isto pode representar a maturidade. Porém, à luz da experiência de Jacó, entendo que a vivência que você carrega serve para possibilita-lo a experimentar um nível de cura – o nível mais profundo que permite Deus mexer nas áreas mais internas do nosso coração.


Neste nível o Senhor trata do medo.


Jacó estava aterrorizado. Temia pelo seu futuro e da sua parentela. Tinha informações de que seu irmão vinha ao seu encontro com um exército de 400 homens. Esaú, o ressentido, prometera vingar-se de Jacó face a forma como perdeu a bênção do pai através da mancomunação deste e sua mãe, Rebeca.


Medo do irmão com quem rompera – mal sabia que o Senhor se encarregara de tratar do coração de Esaú.


Medo de perder sua família e seus bens – medo de haver trabalhado vinte anos em vão – mal sabia que Jeová-Jireh era o Deus que o respaldava.


Medo das perdas que poderia contabilizar face haver obedecido ao comando de Deus – de retornar à terra de seus pais.


Peniel foi um tempo de Jacó vencer seus medos.


Jesus esteve em Jaboque para dar aulas de como ser um guerreiro, de como lutar para Jacó!


Se até com Deus você luta e prevalece, meu amigo, por que ter medo?


Ore agora clamando ao Senhor que lhe ajude a vencer o medo. Peça a Jesus que o ensine a ser um guerreiro!



segunda-feira, 30 de agosto de 2010

POR QUE O HOMEM NÃO É CAPAZ DE VOLTAR PARA DEUS?

"Suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus. Um espírito de prostituição está no coração deles; não reconhecem o Senhor”. Os 5:4

As duras palavras ditas por Deus através do profeta era dirigida aos religiosos, ao povo em geral e à família real, sem deixar ninguém de fora: “Ouçam isto, sacerdotes! Atenção, israelitas! Escute, ó família real! Esta sentença é contra vocês” (Os 5:1). As terríveis consequências da Queda não desviam de nenhum filho de Adão. “Todos pecaram e separados estão da glória de Deus” (Rm 3:23). Mas o texto nos mostra que o problema com o pecado não é apenas sua extensão, atingindo a todos os homens, mas também a profundidade em que penetra em cada ser humano, afetando todas as suas faculdades.

As obras impedem de voltar para Deus, Is 59:2

O proceder do homem natural é corrompido de tal forma que ele só faz pecar e pecar. Nem mesmo uma reforma exterior ele pode apresentar de forma consistente, pois “suas ações não lhes permitem voltar para o seu Deus” (Os 5:4a). A prática do pecado se torna um hábito tão natural que o homem quase nunca percebe que sua natureza está dominada pelo pecado. Não raro as pessoas consideram seus pecados como sendo falhas desculpáveis, e as vezes os defendem como uma virtude. Na verdade, estão tão acostumados aos seus pecados quanto se acostumaram à cor da pele. “Será que o etíope pode mudar a sua pele? Ou o leopardo as suas pintas? Assim também vocês são incapazes de fazer o bem, vocês que estão acostumados a praticar o mal” Jr 13:23.

Contrariando os profetas citados, os homens acreditam que é tudo uma questão de escolha, que basta ao homem preferir o bem que é capaz de fazê-lo. Chamam a essa capacidade de livre-arbítrio. Porém, a Escritura não oferece nenhum respaldo a essa filosofia humanista, quando diz que “todos se extraviaram, à uma se fizeram inúteis; não há quem faça o bem, não há nem um sequer” (Rm 3:12). Isto é corroborado pela observação e a experiência de cada um, que não consegue encontrar um só homem na história que tenha superado sua inclinação para o mal e vivido sem pecar. E quando olhamos para nós, temos que confessar que o “porque não faço o bem que quero, mas o mal que não quero, esse faço” (Rm 7:19).

O coração é dominado pelo pecado, Mc 7:21-23

Num nível mais profundo, o pecado domina o coração das pessoas, “um espírito de prostituição está no coração deles” (Os 5:4b), diz o mensageiro do Senhor. No Gênesis o diagnóstico divino sobre o coração humano era de que “toda a imaginação dos pensamentos de seu coração era só má continuamente” (Gn 6:5) e que tal condição não exclui nem as crianças, pois “a imaginação do coração do homem é má desde a sua meninice” (Gn 8:21). As palavras de Salomão sobre o ímpio de que “há no seu coração perversidade, todo o tempo maquina mal” (Pv 6:14) não se aplica apenas a Hitler e a quem esquarteja namoradas, mas também a pais de famílias honestos, pois “enganoso é o coração, mais do que todas as coisas, e perverso” (Jr 17:9).

Não é o homem que determina como seu coração deve ser, mas o coração é que determina como o homem é, “porque, como imaginou no seu coração, assim é ele” (Pv 23:7). Um homem sempre procederá de acordo com a natureza de seu coração. Se este for endurecido e mau, então tal pessoa resistirá ao Espírito e procederá de forma contrária à lei de Deus. Por isso que as pessoas dos dias de Oséias não podiam voltar para Deus, pois seus coração estavam dominados por um espírito de prostituição e dominavam o comportamento deles. E é por isso que o homem moderno não pode converter-se a Deus, pois a natureza de seu coração é má e o incapacita para o bem.

O pecado cega o entendimento, 1Co 2:14

O pecado afeta também a mente do homem, cegando-o para as coisas de Deus. “Ora, o homem natural não aceita as coisas do Espírito de Deus, porque lhe são loucura; e não pode entendê-las, porque elas se discernem espiritualmente” (1Co 2:14). Ao invés de se voltar para Deus “o povo que não tem entendimento corre para a sua perdição” (Os 4:14), ainda mais que “por haverem desprezado o conhecimento de Deus, o próprio Deus os entregou a uma disposição mental reprovável, para praticarem coisas inconvenientes” (Rm 1:28). Outro profeta descreve a cegueira do povo como sendo pior que a dos animais, pois “o boi conhece o seu possuidor, e o jumento, o dono da sua manjedoura; mas Israel não tem conhecimento, o meu povo não entende” (Is 1:3).

Como “tanto a mente como a consciência deles estão corrompidas” (Tt 1:5), não são capazes de compreender a mensagem do evangelho. Precisam, antes, ter “iluminados os olhos do vosso coração, para saberdes qual é a esperança do seu chamamento, qual a riqueza da glória da sua herança nos santos” (Ef 1:18), do contrário sua mente irá das trevas presente para as trevas exteriores, sem conhecer a luz do Senhor.

Conclusão

O livre-arbítrio como capacidade do homem se voltar para Deus é uma mentira de Satanás, que assim perverte o evangelho, levando homens a torná-lo persuasivo a defuntos. Pois os pecadores não experimentam outra realidade senão o pecar, tornando a rebelião a Deus um hábito que não podem mudar. Além disso, seu coração que determina suas ações é fonte de toda sorte de males, sendo enganoso e perverso, portanto desinclinado às coisas de Deus. E sua mente é corrompida de tal forma pelo pecado que o evangelho lhe parece loucura indigna de crédito, só aceitando naturalmente se a mensagem for modificada de tal maneira que não se pareça em nada com o evangelho da glória de Deus. Diante disso, eles até “voltam, mas não para o Altíssimo” (Os 7:16). Igrejas lotam, mas corações continuam vazios de Deus, ocupados somente com a prostituição espiritual “porque um espírito de prostituição os enganou, eles, prostituindo-se, abandonaram o seu Deus” (Os 4:12).

Soli Deo Gloria.